DANÇAS DE FANDANGO

 

Introdução :

 

Cada época e cada povo só dançam as danças que refletem seu espírito. O espírito das danças gaúchas é o espírito do lar, da fidalguia e de respeito à mulher. Através da danças o gaúcho extravasa toda a sua teatralidade e desenvolve sua identidade espiritual.

As danças ocupam um espaço nobre dentro do tradicionalismo gaúcho. Tanto como expressão de emotividade quanto uma manifestação de arte, que requer técnica e habilidade. Desde os primórdios, a dança se constitui num exercício para corpo e um descanso para espírito. A topografia do terreno, a vestimenta, o espírito, a idiossincrasia e a emotividade do indivíduo, foram os pontos de apoio em que se assentaram as bases para a formação coreográfica que se criou em cada setor do universo.
As danças a seguir apresentadas são gaúchas não porque tivessem se originado inteiramente no ambiente campeiro, mas porque o gaúcho recebendo-as de onde quer que fosse, lhes deu música, detalhes, colorido e alma nativa.:


Giro ou Giro-Saudação :

Após o rapaz convidar a moça para dançar, oferecendo-lhe um lenço ou sua mão, ele a conduz até      o lugar onde iniciarão a dança.
Chama-se giro-saudação ou, simplesmente, giro, o ato pelo qual a moça, tomada pela mão direita de seu companheiro, realiza uma volta inteira em torno do próprio corpo ( girando sobre a ponta do pé esquerdo ou executando passos ), sob o braço esquerdo.
No preciso momento em que a moça completa a volta, o par solta-se das mãos e efetua um respeitoso cumprimento: a mulher realiza uma pequena flexão de joelhos e o homem inclina levemente a cabeça ao mesmo tempo que torna a guardar, entre o cinto e a camisa, o pequeno lenço utilizado para convidar sua companheira para a dança.

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1-BUGIO

 

Este ritmo puramente gaúcho, rude como animal das indomáveis querências, brotou da gaita  de 8 baixos de Neneca Gomes – Wencelau da Silva Gomes – nas serras de Mato Grande, 5.º distrito de São Francisco de Assis, o umbigo Rio Grande do Sul, como denominava Getúlio Vargas esta região. Não sabe-se ao certo mas, alguns dizem que o bugio surgiu de um erro do gaiteiro. outros dizem que foi da tentativa de imitar o ronco do bugio usando o jogo de fole da gaita.
            Muito popular nestes pagos por suas habilidades musicais, Neneca Gomes procurou imitar o som emitido por um macaco, nasceu o  ronco do Bugio por volta de 1928, tendo em seguida chegado numa espécie de canto cadenciado que levou o nome de “os Três Bugios”, em homenagens a estes bichos domesticados que tinha em casa. A música muito popular entre os gaiteiros da região missioneira de São Francisco de Assis, Santiago. Bossoroca, Jaguarí e São Borja, ganhou impulso e notoriedade maior a partir dos estudos musicais realizados por Paixão Cortes e Barbosa Lessa e, posteriormente, com a gravação em 1955 dos irmãos Bertussi, gravando “o Casamento da Doralícia”, levaram o primeiro Bugio ao disco e um pouco mais tarde a divulgação feita pelo músico Leonardo. O Bugio é uma composição de notas retratando a vida simples da campanha onde a dança permanece muito cultuada embora a música tenha ganhado as cidades. “O Bugio é cantado em diversas facetas”. Em momentos representa o piá arteiro, peão destemido, moço faceiro etc. Noutra o próprio animal, numa defesa e valorização ecológica da fauna gaúcha.

Quanto aos passos do Bugio, sua movimentação é idêntica a da vaneira. A diferença está na passagem do segundo para o terceiro movimento do passo, onde os dançarinos dão um pulinho e tiram os dois pés do chão.
Este movimento se dá justamente quando ocorre a puxada característica do Bugio que é o jogo que o gaiteiro faz na baixaria e com o fole da gaita, tirando um som que lembra o ronco do bugio. O bugio é dançado meio de lado, imitando o caminhar típico desta espécie de macaco.

 

 

2-RANCHEIRA

 

É uma versão da mazurca, muito divulgada no séc. XIX em toda a comunidade européia. Este ritmo é também muito conhecido no sul da Argentina como rancheira ou, inicialmente, “mazurca de rancho”.
No Rio Grande do Sul, segundo Paixão Cortes e Babosa Lessa, a divulgação deste ritmo se deu em maior escala com o aparecimento do rádio, sendo uma versão regional da mazurca polonesa. Sua coreografia é executada de três maneiras:

1º- Como uma espécie de valsa, típica da fronteira;  a marcação é como valsa, mas com a diferença de que é feita uma forte marcação no primeiro passo, no tempo mais forte da música, maneira esta mais utilizada na fronteira do Estado.

2º- À maneira serrana, a rancheira sendo dançada com maior vitalidade, com forte marcação na primeira batida, cujo passo é executado saindo do chão, com vitalidade e sendo mais pulada, mas mantendo os passos da primeira. A diferença está na execução

3 º-Ela é dançada no litoral, onde sua forma mais usada é a forma puladinha ou marchadinha, ou seja, com passos duplos de terol (segundo Paixão Cortes e Barbosa Lessa são passos duplos de marcha), onde o homem empurra e puxa a mulher e onde o par se segura nos cotovelos, como a Chimarrita Balão (dança do folclore gaúcho).

O gaiteiro quando toca segura mais a nota musical, dando mais extensão à nota. Liga (Legatto = ritmo constante). ... Na serra difere do estilo fronteiriço apenas na forma de executar, pois dança-se bem rápido e puladinho com acentuada marcação de todo o pé no tempo forte da música (1º tempo). O gaiteiro serrano faz uma seqüência com interrupção da nota musical. (Stacatto = ritmo alternado)”.

Os Passos de Rancheira são compostos de dois passos-de-juntar, um para a esquerda e outro para a direita.

Passo-de-juntar
- para a esquerda: pé esquerdo dá um passo para a diagonal esquerda e o pé direito vem se juntar a ele.
- para a direita: pé direito dá um passo para a diagonal direita e o pé esquerdo vem se juntar a ele.

No final do passo-de-juntar à esquerda faz-se uma marcação no lugar, de toda planta do pé que primeiro se afastou e a seguir faz-se o novo passo-de-juntar `a direita com nova marcação. E assim sucessivamente.
Um passo de Rancheira corresponde a seis movimentos.

 

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3-CHAMAME

 

Ritmo originário da Argentina, a difusão deste gênero de música na década de 40 se deve em princípio às gravadoras de Buenos Aires e advento do rádio.
No Rio Grande do Sul a entrada deste ritmo se deve em muito a proximidade do Brasil e suas fronteiras com países como a Argentina e o Uruguai. Outros gêneros de músicas

como a Milonga, o Tango e o Bolero tiveram e ainda têm influência direta na história da formação musical do Rio Grande do Sul. Assim também o chamamê teve sua influência na cultura musical do Estado, principalmente nos últimos vinte anos; foi um dos que mais se popularizou, fazendo hoje parte de todo tipo de encontro onde houver música regional.
O chamamê dançado por argentinos ou uruguaianos, em que a marcação também é ternária, assemelha-se à marcação da valsa,(fato presenciado pessoalmente por mim em Passo Fundo, mais ou menos em 1967 em apresentações de Argentinos(um deles o Tuti de Posadas-Argentina) nada tem a ver com as loucuras feitas hoje em dia nos nossos bailes, onde acabaram inventando o chamachote ou choteme(mistura de chote com chamame) e, depois, na hora de dançar um chote, caminham como se fosse um chamamê.
Opções para figuras ou variações dentro do chamamê, seriam algumas figuras de tango, que, mesmo antes de fazerem parte do tango, já ilustravam as polcas, chamamês e milongas. Vale dizer aqui rapidamente sobre o por quê motivo falo do tango: é que este surgiu primeiro como dança, mas depois se casou com o ritmo do tango andaluz que chegou a região dos pampas. Antes os passos, que depois virão a casar com o ritmo aprendido nos camdombes, eram dançados pelos compadritos em ritmos da sociedade de então, entre estes o chamamê.

A polca européia sofreu modificações nos países do Prata (em especial na Argentina), passando a ter compasso ternário e andamento mais lento. Com o passar do tempo, chamou-se “polca correntina” e após recebeu o nome guarani - chamamé - que significa “improvisação”.
O chamamé faz parte do grupo das danças de pares enlaçados, no Rio Grande do Sul foi ganhando forma, moldando-se através dos tempos.

Os Passos do chamamé se assemelham ao passo de polca e de rancheira, apenas num ritmo um pouco mais lento.

Genêro musical originário de Corrientes, na Argentina, integrou-se ao folclore brasileiro a partir de meados do século passado. A partir de 1960 começou a ser comercializado através das gravações do acordeonista Zé Correia. Chamamé é uma derivação do espanhol llamama, e designa o ato do cavalheiro aproximar-se da dama e chamá-la para dançar. É um ritmo dançante de compasso ternário em 6/B. É uma dança típica da região de Mato Grosso e que começou a ganhar projeção nacional juntamente com o rasqueado, a guarânia, a polca e outros ritmos fronteiriços, que logo se aclimataram ao Brasil. É executado pelo som aberto soprado de um ou dois acordeões acompanhados de dois violões que rasqueiam ao ritmo do chamamé

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4-VANERA

 

Origina-se da habanera, que é um ritmo, cubano de danças e canções, nome este dado em referência a esta capital Havana (La Habana).
Seu compasso é binário, de moderado a lento ritmo que foi se popularizar no século XIX e foi muito utilizado por compositores espanhóis e franceses.
No Brasil, influenciou não somente ritmos do Rio Grande do Sul, mas também outros, como o samba-canção.
No Rio Grande do Sul, a nossa vaneira adotou nomenclaturas diversas, como vaneirinha, vaneirão ou, ainda, limpa-banco.
Dançada assim, com marcação 2 e 2, nos salões do Rio Grande do Sul, dançada puladinha (no que lembra o passo do Bugio) ou arrastada, esta marcação é feita em qualquer direção.
O homem inicia com o pé esquerdo indo em diagonal; logo depois, o segundo passo é dado para frente. Entre estes dois movimentos, o outro pé desloca-se levemente em um pequeno arrastar.
Os pés partem da posição inicial já indicada nos fundamentos da postura, sendo que os primeiros passos são feitos como se quiséssemos formar um horário de dez para as duas.


Vaneirinha : :

É uma variante da vaneira criada pelos gaiteiros riograndenses.Seu ritmo é executado um pouco mais rápido que a vaneira e mais lento que o vaneirão.

Os passos da vaneirinha são idênticos aos da vaneira, dançados um pouco mais rápidos.

Vaneirão : :

É uma variante da vaneira. Sua música é executada num ritmo rápido que é o que o distingue da vaneira e da vaneirinha.
Os passos de vaneirão são iguais aos passos da vaneira, apenas com andamento mais rápido,    cujos pares dançam enlaçados e não fazendo as figuras.

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5-MILONGA

 

É um ritmo argentino, mas de origem africana com passagem pela Espanha e que surgiu no fim séc. XIX Há registros de seu aparecimento, na Argentina, por volta de 1870. Inicialmente era considerada vulgar, sendo que popularizou-se também no Uruguai e Rio Grande do Sul, desrespeitando fronteiras.. Seu nome provém do dialeto angolano quimbundo o sentido do termo provém da língua ”Bunda” da República dos Camarões, (Melunga = palavra, o plural é Milonga)”.

 Foi esse nome que o povo deu ao canto dos payadores. Nascida nos arredores de Buenos Aires, alguns autores ainda alegam que teria surgido a partir da mazurca.
A milonga foi introduzida no Rio Grande do Sul inicialmente na fronteira, ao som do violão, o acompanhamento predileto dos declamadores gaúchos.
A milonga no Rio Grande do Sul é dançada com a marcação de 2 e 1, duas marcações feitas com uma perna e a outra fazendo deslocamento com um passo para frente ou para trás. Caracteriza-se pela marcação no terceiro tempo da música.
Seu ritmo assemelha-se ao tango argentino.

 

 

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6-CHOTE OU XOTE

Trazido pelos imigrantes alemães (1824), o "schottisch" , enraizou-se no Brasil, por volta de 1850, juntamente com a Polca e a Valsa. Em Paris abriu caminho para a renovação da danças de pares enlaçados. Nota-se em seu ritmo um certo parentesco com o da Polca, mas um pouco mais lento. O Chote coincidiu com a difusão da gaita como instrumento musical e se tornou a dança de pares enlaçados preferida do gaúcho, podendo também ser dançado "se largando" em chotes afigurado.


CHOTE TRADICIONAL

 Faz-se através de três movimentos iniciados com o pé esquerdo (primeiro movimento), que é dado em dois tempos da música (um compasso), portanto um pouco lento e largo, os segundos e terceiros movimentos são efetuados um para cada tempo da música, sendo assim mais rápidos e curtos, dentro do ritmo do Chote.

CHOTE AFIGURADO

O peão alcança sua mão direita à mão esquerda da prenda, sendo que os dois estão postos face a face.
     Peão realiza 3 passos de marcha para a esquerda, movimento de ida e o quarto passo fica elevado no ar. (peão e prenda podem realizar uma batida de pé no chão, mas este logo deverá se elevar, não terão o peso do corpo, pausa musical). O movimento de retorno é iniciado pelo pé que está elevado (quarto movimento), repetindo a mesma marcação da ida.

     A figura do chote afigurado é feita ao se iniciar a nova marcação para a esquerda do peão. O número de figuras que podem ser executadas é praticamente infinito, dependendo da criatividade dos dançarinos.

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7-VALSA

 

    Walsem (em alemão= andar, peregrinar ou dar voltas). Daí provém o nome valsa. A dança surgiu do antigo minueto, claro que com forte influência de ritmos nacionais da Áustria como Leander e o Deustscher, Tanz sendo a primeira dança de salão de pares enlaçados firmemente. Nas primeiras notícias sobre valsa, temos menção de apresentações datadas de 1660 em Viena, difundindo-se no ínicio do século passado para a França e a Inglaterra. Sendo esta dança tocada em compasso ternário allegro, sempre com diversas partes.

 

Originada das danças rústicas Alpinas da Áustria; foi soberana na Europa. A valsa veio abrir caminho para uma última geração coreográfica, que chegou até nossos dias: as danças de pares enlaçados.

Há uma hipótese de que a valsa brasileira sofreu influência da valsa francesa, ganhando aqui feições próprias.

Tradicional:

 É formado por dois passos-de-juntar, dados num sentido e noutro, alternadamente. Um passo de valsa é composto de quatro movimentos, dados para um e outro lado, mas na sua forma tradicional faz-se em giro ou em curva.

Clássico:

É executado mediante três movimentos, sempre em giro, para um lado e outro. São feitos três passos em três tempos musicais, um para cada tempo.

 Campeiro:

Na sua execução são utilizados os dois passos acima descritos. Seu andamento é mais rápido e a sua movimentação pode ser para a frente, para trás, no lugar e em giros para um lado e outro.

 

 

8-Marcha Polonaise, em Português: Polonésia

 

"A Polonesa ou Polonaise é dança originária da Polônia que foi mencionada após o ano de 1675. Essa dança de conjunto teria se originado de uma marcha triunfal de antigos guerreiros poloneses.

Tem o Objetivo de aquecer os bailarinos para o baile. Nas áreas de colonização italiana e alemã, no Rio Grande do Sul, a Polonesie continua sendo a dança solene de abertura de bailes ou ponto culminante de festividades como: Festa do Rei do Tiro e Kerbs”.

É dançada em ritmo de marchinha. A polonésia era dançada apenas por homens, porém com o passar do tempo foi permitido pares mistos. Coreografia dos Passos: Compasso único com um passo para cada lado ( 1 e 1 ).

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POLCA

Esta dança européia, proveniente da Boêmia, tornou-se famosa e dominou os salões na segunda metade do século XIX. No Rio Grande do Sul era tipicamente tocada com o acordeom e serviu para dançar vários tipos de modas coreográficas, entre elas:
Polquinha, Limpa-banco, Arrasta-pé, Polca das damas, Polca das cadeiras, Polca do bastão, Polca de relação ou meia canha.O passos da polca podem ser dirigidos para frente e para trás, para os lados, em curva ou em diagonal.
A
única característica de sua execução é a pausa entre um passo-de-polca e outro passo-de-polca

 

 

MARCHA

 

“No Brasil, teve origem nos blocos carnavalescos de rua, pois além de peças musical e coreográfica relacionada com o carnaval, o nome indica um dos passos do antigo 'Quicumbis' (Dança de Igreja)”.

 

Pesquisa realizada com bibliografia colhida na Internet.

Autor: Guimarães em 21.03.2005.