IDÉIAS E PREOCUPAÇÕES DE UM TRADICIONALISTA

*Helio Ferreira

Ainda meio surpreso com a honraria de poder expressar minhas humildes idéias para este que já se consagra como um veículo de grande importância para os tradicionalistas, fico a pensar, o que falar? Qual ponto abordar, neste universo de assuntos e questionamentos que envolvem o movimento como um todo, que nos leva todos os dias a uma realidade diferente das demais, uma realidade que envolve, que agita nossas horas, que preenche nosso dia, sempre em busca de algo melhor para o culto ao Rio Grande, algo melhor para enriquecer ainda mais nossa Cultura e as nossas ideologias, próprias do ser tradicionalista que vive para que tudo perdure pelos tempos. Porem temos também as preocupações, elas também envolvem boa parte do nosso tempo, preocupações que nos levam a criar normas e regulamentos sempre com os mesmos objetivos, organizar, preservar, manter vivos os valores maiores, nos mantermos importantes no contexto social, mantermos as família dentro dos nossos galpões e entre outras tantas a principal de todas, não permitir que se perca o amor pelas nossas tradições. E é sobre isso que trago do meu pensamento, a preocupação com o futuro deste movimento que do “alto dos seus quase 60 anos”, vem passando por transformações significantes, muitas saudáveis outras nem tanto, mas que devem devem  ser administradas, com astúcia e inteligência para que se tornem produtivas, ao invés de apenas ignora-las. Falo isso, por que estamos nos aproximando de mais um ENART, esta mágica manifestação que vem “reculutando” jovens e mais jovens para os nossos CTGs, mas que com a mesma força que os trás,as vezes os leva, por desencantos de derrotas ou tropeços. É ai que quero chegar, o compromisso de nossos Patrões, Instrutores, Posteiros, Pais e todos mais que participam da organização deste processo, levar para estes jovens a idéia maior, de que o ENART tem de ser um meio, nunca um fim e que a participação deles no movimento deve ir alem do “palco”. A muitos anos, quando estes, hoje participantes, nem eram nascidos, jovens como eles iam para os Congressos, levando Teses, e brigando por elas, que visavam  o fortalecimento e o enriquecimento de tudo isso que hoje existe e propicia   um evento como o ENART, porem hoje, o que temos nos Congressos? Na maioria, aqueles mesmos jovens, hoje mais velhos, ainda tentando preservar esta continuidade do movimento, e os jovens de hoje? O que estão fazendo? Eu me arrisco a dizer, “estão ensaiando”, para tentar ganhar um troféu, um troféu que se eles não ajudarem a manter, talvez um dia não exista mais. Por tudo isso, pelas reflexões meio desordenadas, mas todas voltadas para o mesmo rumo, um rumo que não foi traçado por mim, mas por pessoas como meu pai (Tio Cyro), que hoje com menos força que então, se preocupa ainda, dia após dia com o futuro deste movimento e principalmente com a participação destes jovens para que ele nunca morra, é que trago a minha preocupação e que ela sirva de alerta para todos nós, tradicionalistas conscientes e preocupados com o futuro do Movimento Tradicionalista Gaúcho.