Semana Farroupilha na Nação Gaúcha.

Na década de 40, devido a invasão do modismo no Rio Grande do Sul, vindo de outros países, principalmente dos Estados Unidos, grupos de tradicionalistas gaúchos conservadores levantaram suas vozes em favor da conservação da cultura, costumes e tradições do povo gaúcho. Nesse período foi criada a ronda gaúcha, que passou a ser conhecida como ronda crioula. A ronda crioula acontecia entre os dias 7 e 20 de setembro para festejar a Independência do Brasil e a Revolução Farroupilha. Neste período os gaúchos tradicionalistas se reuniam para escrever e conversar sobre a Revolução Farroupilha, contar histórias de combates e coragem dos gaúchos nessa época, declamar poesias e realizar fandangos.

Candeeiro Original da Chama Crioula.

Em 1947, pequenos grupos de jovens também se levantaram contra este modismo que estava tentando destruir as tradições e a cultura do povo gaúcho. Estudantes do colégio Júlio de Castilhos, em Porto Alegre, periodicamente se reuniam para falar sobre o tradicionalismo gaúcho. À meia-noite do dia 7 de setembro de 1947 nasce a chama crioula, iniciativa deste grupo de estudantes para homenagear os soldados mortos na Revolução Farroupilha e na  Segunda Guerra Mundial. A chama crioula que acabava de nascer significava a liberdade e a confraternização entre os povos do mundo.

No ano seguinte este mesmo grupo de estudantes fundou o "Movimento Tradicionalista Gaúcho" com o objetivo de proteger a cultura, costumes e tradições dos gaúchos. Com o surgimento deste movimento em Porto Alegre, o tradicionalismo do interior do estado começou a fortificar-se.

No dia 11 de dezembro de 1964, através da Lei 4.850, a Assembléia Estadual oficializou a ronda gaúcha, com o nome de Semana Farroupilha. O período de comemoração passou a ser de uma semana, do dia 14 à 20 de setembro. Em 1996, através de lei federal, o dia 20 de setembro foi oficializado o dia do gaúcho ou dia da liberdade, no qual são homenageados os heróis da Revolução Farroupilha..

Candeeiro do Palácio Piratini Porto Alegre/RS

Nos festejos da Semana Farroupilha participam milhares de pessoas no Brasil e em outros países. No Rio Grande do Sul, os funcionários públicos, durante a Semana Farroupilha, trabalham usando as roupas típicas do tradicionalismo gaúcho.

Nesta semana é intensa a programação dos CTG's no Brasil e em outros países. No dia 14 de Setembro a chama crioula chega na maioria dos 2500 CTG's espalhados por todo o Brasil. A chama vai ao Parque da Harmonia, no centro de Porto Alegre, onde ficam acampados centenas de CTG's, durante a Semana Farroupilha. A chama crioula vai também ao Palácio Piratini, sede do governo do estado. O próprio governador acende o candeeiro com a chama crioula, a qual ficará guarnecida por soldados da Brigada Militar até o dia 20 de Setembro. Durante a Semana Farroupilha são realizados estudos, palestras, atividades campeiras, culturais e também grandes bailes gauchescos.

No dia 20 de Setembro acontece o encerramento das festividades com desfiles, nos quais participam mais de 50 mil prendas e peões montados a cavalo.

No último minuto do dia 20 de setembro é apagada a chama crioula em alguns CTG's. No Rio Grande do Sul e em outros estados do Brasil, a chama permanecerá acesa por todo o ano, até chegar a próxima Semana Farroupilha, quando será novamente distribuída para os CTG's.

 Primeira Ronda da Chama Crioula


Por volta do ano de 1960, houve um movimento no Rio Grande do Sul para que se fizesse a ronda da Chama Crioula em praça pública, pois esta era feita nos galpões dos CTG’s existentes na época. Então surgiu a idéia de tirar a Chama Crioula dos galpões. Por isso, nada melhor do que levá-la para a Estátua de Bento Gonçalves, símbolo do Movimento Farroupilha, na Avenida Azenha, em Porto Alegre. Convidou-se os CTG’s da época, que ainda eram poucos, e entre os convidados estavam: CTG Pagos da Saudade, CTG Maragatos, CTG Tiarayu e 35 CTG, sendo que cada um deveria fazer uma ronda de 24 horas.

No galpão do CTG Pagos da Saudade, em reunião com vários tradicionalistas, foi definido o formato da pira para receber a Chama Crioula. Acelino Coelho, do Pagos da Saudade, deu a idéia de fazê-la no formato de uma cuia. A Escola SENAI-VARIG confeccionou a cuia-candeeiro em bronze, inclusive com bomba. O candeeiro foi colocado num tripé de madeira feito pelo Coelho.

A Prefeitura de Porto Alegre construiu no canto da praça um pequeno galpão de Santa-fé para abrigar os que faziam a ronda e para os que visitavam a Chama Crioula.

 

 

 

 

Fogo de chão

Depois que foi implantada, na primeira metade do século passado, a Fazenda do Boqueirão, no interior de São Sepé — a 25 quilômetros da sede, nas margens da BR-392 , tem um fogo de chão que nunca mais foi apagado.

É mantido aceso num galpão   há mais de 150 anos, ao longo de seis gerações da família Simões Pires.

Ali já se aqueceram David Canabarro, um dos heróis da Revolução Farroupilha; Silveira Martins, líder
maragato da Revolução Federalista, de l893, e alguns dos principais personagens da Revolução de 30.
Atualmente sai do local a chama crioula para as comemorações da Semana Farroupilha em toda a região.